Pe. Djacy P. Brasileiro
Sacerdote
Jesus nasceu pobre, na
periferia, distante dos palácios, das riquezas. Como pobre, sentiu as dores do
povo oprimido, injustiçado, ferido na sua dignidade de pessoa humana. Aliás,
toda sua vida foi voltada para os pobres. Basta ver o sermão da montanha.
É natal! Muita luz, muita festa,
muita música e muito enfeite. Na noite de natal, haverá muitos banquetes, muita
comilança. Nas mansões, o clima é de grande festa. Cada um com sua roupa
caríssima, elegância fora do comum. Tudo é encantador, maravilhoso, emocionante:
Comidas, bebidas, músicas, desfiles de modas. Porém, o Jesus pobre, esfarrapado
e humilhado, na pessoa dos famintos, doentes, presos, injustiçados, não será o
centro da festa. Para essa gente, esse Jesus não existe.
É natal! Na noite de natal,
milhares de crianças vão morrer de frio, de sede, de fome...; Muitos irmãos
nossos vão clamar, no seu mais profundo silêncio, por justiça, por dignidade,
por vida.
É natal! No dia do nascimento de
Jesus pobre, esfarrapado, milhões de seres humanos estarão gritando: socorro!
Falta pão na nossa mesa.
É natal! Neste dia, muitos
animais de estimação estarão com suas roupas novas, de marcas, banhados e
cheirosos, comendo comida especial, mas as criancinhas preferidas de Jesus vão
dormir chorando pedindo um pouco de pão.
É natal! Aqui no sertão
paraibano, neste dia de natal, os clamores dos pobres por justiça social, por
dignidade, por liberdade, por pão e água chegam aos ouvidos de Deus.
É natal! Em Pedra Branca, onde
moro, vejo tantos pais e mães clamando pelos seus filhos: roupa ,alimento,
remédio, cadeira de roda, água ,dignidade.
É natal! Os pobres comem um
pouco de feijão, arroz e um pedaço de carne, enquanto os ricos se deleitam com
suas comidas caríssimas. Então, é natal dos pobres e dos ricos?
É natal! Políticos, sem
escrúpulos, aumentam seu próprio salário. Enquanto o povão sobrevive graças a
um famigerado salário mínimo.
É natal! Relativismo religioso,
secularismo, absolutização do poder, do ter; abandono dos valores evangélicos.
É natal! Alienação política,
terrorismo político-cultural, reacionarismo religioso, relativismo ético-moral,
consumismo, idolatria do mercado. É natal dos endinheirados, dos consumistas.
É natal! Desprezo à pessoa
humana, fome, miséria, sede, guerra, desemprego, injustiça social. Quanta
hipocrisia na noite de natal!
É natal! Tantas vezes cristãos
compromissados com o reino de Deus, com a justiça social são vítimas de
calúnias, difamações, de violência.
É natal! O padre quando luta
para que o povo de sua comunidade viva com dignidade passa a ser vítima dos
poderosos e de seus comandados.
É natal! Quando o padre fala de
anjos, de coisas do outro mundo, leva o povo ao delírio psíquico, é santo, é
padre dez; quando fala das injustiças que agridem a dignidade da pessoa humana,
e chama, em nome da fé, a lutar contra esse mal, logo é tachado de demônio, de
desobediente à Igreja.
É natal! Quando o padre vive só
de louvar a Deus é rotulado de padre verdadeiro; quando faz o povo tomar
consciência dos seus direitos inalienáveis , alguns dizem: vamos fazer abaixo
assinado para tirá-lo, ele é perigoso.
É natal! Milhares de pessoas, no
meu sertão, bem no vale do piancó, gritam: bebemos água imprópria para o
consumo humano.
É natal! Milhares de estudantes,
no vale do piancó, clamam: por que na nossa região não há um campus da UFCG E
UEPB? Temos o direito de fazer um curso superior, mas nos é negado este sagrado
direito.
É natal! No meu sertão
paraibano, quantas pessoas clamando por assistência-médico-hospital com
dignidade.
É natal! No vale do piancó, as
pessoas que desejam uma consulta médica ou odontológica têm que pegar a fila
ainda de madrugada. Só assim, conseguem uma ficha. Imagine acordar-se de
madrugada para conseguir uma ficha.
É natal! Corrupção nas esferas
públicas reina neste Brasil. E os pobres sofrem as terríveis consequências.
É natal! Quando uma autoridade,
seja quem for, tenta combater a corrupção existente neste País, passa a ser
destratada, caluniada, sofre reprimenda por parte dos seus superiores.
É natal! Muitas orações, muitas
celebrações, muitos louvores, muitos aplausos para Jesus, muitas mensagens de
felicitações, muitas confraternizações, porém, pouca sensibilidade
humano-cristã diante dos sofrimentos de tantos irmãos nossos, vítimas da fome,
da miséria, da sede...
E o natal? Na criança faminta,
no doente mal atendido nos hospitais, na pessoa desempregada, nos agredidos em
sua dignidade de pessoa humana, nos pobres, nos favelados, nos sem vez e voz.
Então é natal de Jesus na pessoa dos pobres!
É natal em cada Belém deste
recanto paraibano.
Padre Djacy Brasileiro, em 21 de
dezembro de 2011.

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