sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Inferno.


Escobar
Ser humano, militante,  atuante em realidade de vulnerabilidades há 10 anos e Sociólogo.





Quem já não ouviu falar sobre "o Inferno"?

Pois bem, é lá que dizem que mora o diabo, o coisa ruim, o cão e outras nomenclaturas.

É lá que dizem que sofreremos eternamente se não obedecermos o que nós é mandado.

É sobre ele que foram escritos tantos textos e livros tentando explicá-lo.

Desde crianças, com medo, nos assinalavam sobre a possibilidade de irmos até lá.

Lugar de sofrimento, solidão e de castigo por não ter obedecido.

É para lá que vão aqueles que não seguiram a fé, contrários a fé daquele que fala.

É de lá que fogem muitas pessoas apaziguando a fúria de “Deus” em cultos ou missas.

É para lá que vão muitos dos que pensam ou que fazem críticas incómodas.
É lá que mandamos àqueles que nos fizeram o mal.

E é com medo de morar lá que muitos se refugiam na religião e assim correm para “salvar” os outros de queimarem no fogo.

Os salvadores que vão de encontro àqueles que estão indo ao inferno, podem ser um inferno quando impõem uma fé opressora e individualista.

Difícil é amar o outro sem ofertar-lhe um inferno ou estender a mão somente pelo fato de humanidade.

Dificuldade é crer em Deus sem o inferno.

O inferno seria um lugar de exclusão criado por um Deus que ama e inclui?

O inferno seria um lugar no qual todos aqueles que são amados por Deus, mesmo após sofrimentos na terra irão pela não aceitação de uma fé?

O inferno às vezes também é um lugar criado para oprimir e mandar todos aqueles que não aceitaram as nossas palavras como verdadeiras.

O inferno é o lugar de vingança, na qual àqueles que não aceitaram os dogmas como verdade ou não se submeteram a fé institucionalizada de interesses deturpados.

Há igrejas que mais parecem ser um culto ao inferno, para manterem submissas suas ovelhas.

Enquanto pessoas vivem o inferno da exclusão e da fome, sendo esse o mal real, outros enchem as pré-listas de condenados.

Qual seria a surpresa daqueles que destinaram tantas pessoas ao inferno de chegarem à festa de Jesus e encontrassem todos aqueles que pensavam estarem no inferno?


Ou como seria a surpresa de chegarem lá e perceberem que o amor de Deus era inclusivo e de tal maneira e não vingativo?

Sei que depois de lerem alguns me mandarão para o inferno, mas dependendo do céu ofertado faço minhas as palavras de um líder indígena durante a colonização que ao ser catequizado pelos espanhóis, foi amarrado em um tronco para ser queimado para aceitar a fé cristã e disse:

“Há espanhóis como vocês no Céu?”

Ouvindo um sim como resposta, diz:

“Então prefiro o inferno”

Pois o céu apresentando por alguns muitas vezes parece um verdadeiro inferno.

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