Escobar
Ser humano, militante, atuante em realidade de vulnerabilidades há 10 anos e Sociólogo.
O natal no mundo neoliberal é a festa das compras e de
consumir tudo aquilo que se deseja e sonha em prol de demostrar o amor através
da coisificação dos sentimentos.
É a festa cristã que comemora o nascimento de um
carpinteiro pobre, que foi feito rei e produto de um sistema que explora tudo o
que se imagina, inclusive a fé daqueles que correrão para as lojas em nome de
satisfazerem os sonhos de consumos e das crianças bombardeadas por propagandas
que as incentivarão a pedirem e pedirem, em nome da satisfação momentânea.
Natal, que seria a data do nascimento de um Deus que
incluiu e partilhou, com uma preocupação em relação aos mais pobres, mostra uma
sociedade que comemorará a data, mas que não teve as mesmas ações, pois
continua a excluir os mais pobres, nesta globalização econômica. Os Miseráveis que são aqueles que possuem
61,20 reais por mês em 2010 chegaram aos 1,4 bilhão no mundo, estes somente
assistirão as comemorações do lado de fora do sistema que apoia a exploração e
que lhes dará migalhas através de campanhas assistencialistas.
Será comemorada a data de um Deus que trazia os
oprimidos para perto sem distinção de raça e sexo, diferente do que vimos neste
ano, inúmeros casos de racismo na Europa e nos Estados Unidos os estrangeiros são
ainda mais perseguidos, na Terra que se diz totalmente abençoada por Deus. O
que dizer dos defensores da moral e da fé “pura” que realizaram verdadeiras cruzadas aos homossexuais e
quando os aceitou lhes colocou a condições de masculiniza-los para o acesso a
religião.
Como comemorar a data do nascimento de um Deus que
incluiu os seres humanos independente de credos, em um mundo que bombardeia
através de guerras em nome de Deus? Mundo no qual se taxam as pessoas de acordo
com a religião que professam, na qual muitos dizem deter o monopólio da
verdade. O que é a verdade? Lhe perguntaram, ele ficou em silêncio.
Um Deus que subverteu a sociedade da sua época, neste
ano esteve próximo a todos aqueles que de alguma forma lutaram e lutam para
subverter este sistema que baseia-se na exploração e na exclusão de milhões em
prol do acúmulo de poucos. Esteve lado a lado na luta das Marias, dos Josés,
dos Ernestos que sonham com uma sociedade mais igualitária e justa.
O natal se fez presente naqueles que abriram suas
portas aos excluídos desta sociedade e que não lhes negaram ajuda independente
de condição sexual ou credo dos mesmos, sem coloniza-los ou escraviza-los.
Esteve presente com todos aqueles que de certa forma levaram a utopia e a paz
subversiva.
O natal esteve presente na partilha e na comunhão, em
botecos, igrejas, mesquitas, centros e aonde o Reino se fez presente. Nos
Lugares onde a vida esteve acima do dogma, e na qual a imposição não foi uma
marca.
O que comemora-se hoje é o nascimento do mercado, e
venera-se o mesmo através do consumo. O Natal, aquele do nascimento do Deus
pobre, subversivo, inclusivo e com uma profunda preocupação pelos mais pobres,
esse acontece por ai o ano todo sem grandes alardes.

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